25 outubro, 2018

CEREAL MATINAL SURGIU COMO “CURA” PARA MASTURBAÇÃO


CEREAL MATINAL SURGIU COMO “CURA” PARA MASTURBAÇÃO

O puritano John Kellog achava que o “mal solitário” arruinava a saúde. Ele tentou a cura pelo café da manhã



O café da manhã dos puritanos Foto:Getty Images

O sobrenome do médico John Harvey Kellogg virou, há tempos, sinônimo de café da manhã. Mas algo que as pessoas não relacionam a ele é uma forma particularmente radical de puritanismo sexual.

Kellogg era um médico adventista do sétimo dia, extremamente devoto, que viveu um casamento de 40 anos sem sexo. Ele acreditava que doenças e pecado andavam juntos: a decadência da alma causa a decadência do corpo. E, desses vícios, um dos mais letais seria a masturbação. Chegou a catalogar 39 sintomas de quem se masturbava, incluindo acne, má postura, epilepsia e palpitações.

Mas havia uma saída para esse mal terrível. Induzindo um estado mental “saudável”, as tentações podiam ser amenizadas. Para o médico, o fim dos desejos passava por uma dieta sem carne e sem sabor. Enquanto trabalhou num sanatório em Battle Creek, Michigan, EUA, dedicou-se ao tema usando alimentos sem graça supostamente inibidores da libido. Como o milho puro.


Dr. John Harvey Kellogg Domínio Público

Uma das versões da história relata um erro do irmão mais novo do dr. Kellogg: Will Feith teria esquecido no forno, em 1894, uma maçaroca de milho a ser servida aos pacientes. Os dois trituraram tudo e obtiveram flocos. Sucesso! Não tinha a menor graça. Corpos e almas seriam salvos.

Em 1897, os irmãos criaram a Sanitas Food Company, que seria rebatizada de Kellogg Company quando Will adquiriu o controle acionário. Ele tinha outra ideia para o cereal: adicionou açúcar, tornando o produto muito mais excitante — e, certamente, tentador. A ideia de John Kellogg fora pervertida: sucrilhos nunca curariam ninguém do mal manual. E os irmãos nunca mais se falariam.

Maria Carolina Cristianini
Fonte :Site da Revista Aventuras na História



Blog de Curiosidades da História.Criado em 12/08/2006 por José de Jesus Bataier.Sem Fins Lucrativos –Estância Balneária de Praia Grande –SP –Brasil



16 outubro, 2018

Há 1,5 mil anos, crianças eram enterradas como "vampiras" em cemitério


Há 1,5 mil anos, crianças eram enterradas como "vampiras" em cemitério

Restos de criança de 10 anos revelam que povoado italiano tomava precauções para que os mortos não retornassem para contagiar os vivos



CRÂNIO ENCONTRADO EM SÍTIO ARQUEOLÓGICO CONHECIDO COMO 'CEMITÉRIO DE BEBÊS' (FOTO: UNIVERSIDADE DE STANFORD)

Há cerca de 1,5 mil anos, os moradores de uma cidade romana desenvolveram métodos para que os mortos permanecessem assim. Essa foi a conclusão de arqueólogos das universidades do Arizona e Stanford, nos Estados Unidos, ao encontrarem os restos de uma criança de 10 anos no "Cemitério dos Bebês", na Itália.

Como o nome indica, o local, que antes era uma vila romana, foi transformado em um cemitério onde eram enterradas crianças, principalmente as que morreram por doenças fatais ou contagiosas.

Foi o caso do pequeno cujos ossos foram encontrados: segundo os pesquisadores, o crânio dele estava com uma pedra na boca. Acredita-se que o sedimento tenha sido colocado ali de propósito, para impedir que a criança voltasse dos mortos e contagiasse os vivos.


PEDRA ENCONTRADA NA BOCA DA CRIANÇA. ACREDITA-SE QUE SEDIMENTO TENHA SIDO COLOCADO ALI APÓS A MORTE DELA, PARA PREVENIR QUE VOLTASSE DOS MORTOS (FOTO: UNIVERSIDADE DE STANFORD)

O arqueólogo David Soren, da Universidade do Arizona, conduz escavações na região desde 1987, mas afirmou que nunca se deparou com uma descoberta do tipo. "Nunca vi nada como isso. É bem misterioso e estranho", disse ele em anúncio. "Os moradores da região o estão chamando de 'o Vampiro de Lugnano'."

"Sabemos que os romanos tinham uma preocupação imensa com o contágio de doenças e chegavam a realizar rituais para manter o mal - o que estivesse contaminando o corpo - de sair e se espalhar", explicou Soren. O "mal" no caso foi a malária: a hipótese foi confirmada em análises de DNA de outros ossos encontrados no local. Além disso, a criança de 10 anos foi encontrada com uma inflamação nos dentes, uma das consequências da doença.

O "Vampiro de Lugnano" também representa o corpo da criança mais velha a ser encontrada no cemitério. Nas escavações realizadas ao longo dos últimos anos, Soren e seus colegas encontraram os restos de bebês e crianças menores - a mais velha até então tinha apenas três anos.

"Ainda há outras seções do cemitério que não escavamos, então não sabemos se encontraremos outras crianças mais velhas no local ou não", afirmou o bioarqueólogo Jordan Wilson, que definiu a idade da criança ao analisar sua arcada dentária.


NA REGIÃO DO CEMITÉRIO, MORADORES PASSARAM A CHAMAR A DESCOBERTA DE 'VAMPIRO' (FOTO: UNIVERSIDADE DE STANFORD)

Fonte: Site da Revista Galileu



Blog de Curiosidades da História.Criado em 12/08/2006 por José de Jesus Bataier.Sem Fins Lucrativos –Estância Balneária de Praia Grande –SP –Brasil



12 outubro, 2018

A MEDICINA NA IDADE MÉDIA


A MEDICINA NA IDADE MÉDIA

Sem qualquer base científica, sangrias, amputações sem anestesia e remédios que misturavam fezes de pombo com saliva eram os tratamentos - mas progressos foram feitos



Removendo a Pedra da Loucura, quadro de 1494 Foto:Hieronymus Bosch



O progresso científico é necessariamente um processo descontínuo, em que avanços se alternam com períodos de estagnação. Disso, a história da medicina é um exemplo. Durante muito tempo predominou, na Antiguidade, a visão mágico-religiosa, segundo a qual doença era resultado de castigo dos deuses, de maldições ou de feitiçaria. Assim, a epilepsia era chamada "doença sagrada": seria a manifestação da posse do corpo por divindades. Mas então, na Grécia clássica, surgem Hipócrates e seus discípulos, sustentando que a enfermidade tinha causas puramente naturais, ligadas ao modo de vida, à alimentação, ao meio ambiente.

Sagrada, a epilepsia? Claro que não. Doença, sim, mas doença como outra qualquer. Claro que era preciso ter coragem para defender ideias assim, mas Hipócrates e a escola hipocrática tinham prestígio. Suas concepções foram incorporadas pela Roma imperial e desenvolvidas por Cláudio Galeno, no século 2, em uma gigantesca obra que sintetiza praticamente todo o conhecimento médico da época.

Minado pela corrupção e pela pobreza de grande parte de uma oprimida população, assediado pelos povos bárbaros, o Império Romano entrou em declínio. Nesse processo, aliás, as doenças desempenharam um papel significativo: malária, peste e varíola dizimavam populações e tropas. Contra essas doenças os médicos de então muito pouco podiam fazer.

A queda de Roma marca o começo da Idade Média. O cristianismo, perseguido no Império, será agora a religião da maioria da população. Aos pobres, aos deserdados, aos servos, aos aflitos, aos doentes, oferecia uma explicação para as pestilências e o conforto espiritual necessário em época de tanto sofrimento.

Pecado

E o cristianismo tinha sua própria concepção sobre a doença. Esta é frequentemente um resultado do pecado. Exemplo era a lepra, na qual estava implícita a maldição bíblica. Diz o Levítico, livro do Antigo Testamento:"Quem quer que tenha lepra será pronunciado impuro e deverá morar sozinho". Verificada a doença e o diagnóstico, como se pode imaginar, era muito impreciso, incluindo certamente outras doenças da pele, o leproso era considerado morto. Rezava-se a missa de corpo presente e ele era enviado a um leprosário, instituição que se multiplicou na Idade Média, ou tinha de vagar pelas estradas, usando roupas características e fazendo soar uma matraca para advertir a outros de sua contagiosa presença.


Pessoas infectadas pela lepra Wikimedia Commons

Já as epidemias eram consideradas um castigo divino para os pecados do mundo (outra ideia bíblica). Mas, sendo um castigo, a doença podia funcionar como penitência e absolvição; uma vida virtuosa levaria então à cura resultante da graça divina. Ou seja: a religião proporcionava um sentido para o sofrimento. Quando em 251 a peste assolou Cartago, sob ocupação romana, no norte da África, o bispo Cipriano consolou os cristãos: morrer significa ser libertado deste mundo.

Poderia representar um castigo para os pagãos e os inimigos de Cristo, mas para os servos de Deus era uma feliz partida. Verdade, estavam morrendo tanto os justos como os pecadores, porém, dizia Cipriano, os primeiros eram chamados para o gozo, os segundos para a tortura eterna. A pestilência fazia assim uma conveniente triagem.

Toque real

O poder divino da cura poderia ser delegado aos reis, por exemplo. Essa foi a origem de um procedimento conhecido como "toque real", usado no caso da escrófula, a tuberculose dos gânglios linfáticos. Essa doença, muito comum então, sobretudo em crianças, era transmitida pelo leite de vacas com mastite tuberculosa (hoje, graças à pasteurização do leite, um procedimento que mata os micróbios da tuberculose, praticamente desapareceu). A escrófula não era uma doença mortal, mas causava um grande transtorno para o paciente: os gânglios, situados em geral no pescoço, fistulizavam, isto é, formava-se um canal que ia se abrir na pele, e por ali saía uma substância viscosa, o cáseo, resultante da infecção. A criança doente era levada, em determinado dia, ao rei, que lhe punha as mãos, dizendo: "Eu te toco, Deus te cura". Por causa disso, a doença era conhecida como mal du roi na França e the kings evil na Inglaterra.

Pergunta: o toque real curava mesmo? Bem, o fato é que a escrófula pode regredir espontaneamente. E essas remissões ocasionais contribuíam para manter o prestígio do procedimento e do monarca que o executava. Também exerciam poder de cura as relíquias de santos e locais sagrados, para onde os doentes eram muitas vezes levados em peregrinação. Alguns desses caminhos ficaram famosos e são percorridos até hoje.

Ao lado do cristianismo e da corrente mística que ele carregava, a Idade Média herdou tradições e práticas supersticiosas surgidas com o declínio do Império Romano. Acreditava-se, por exemplo, que as doenças eram causadas por emanações de regiões insalubres, os chamados miasmas. A denominação "malária" vem daí, significa "maus ares". A propósito, essa concepção não estava totalmente equivocada. De fato, o mosquito transmissor da malária se prolifera em regiões pantanosas, em que o odor não é dos melhores.

Se havia superstições para explicar as doenças, havia também aquelas que visavam promover a cura. O livro De Medicina Praecepta ("Acerca dos Preceitos da Medicina"), escrito por Serenus Sammonicus, famoso médico da Roma antiga, recomenda que os doentes usem um amuleto com a palavra mágica abracadabra. Sextus Placidus, médico do século 5, tratava de febres com uma felpa de madeira de uma porta por onde passou um eunuco. O "doutor" Marcellus Empiricus, que viveu na França entre os séculos 4 e 5, cuidava de lesões oculares tocando-as com três dedos e cuspindo. O encantamento valia também para venenos.

Era comum também a associação entre as doenças e os astros ou constelações. Assim, Aquário estava ligado aos joelhos, Libra aos rins, Peixes aos pés. Saturno, o planeta mais distante e de rotação mais lenta (a astronomia e a indústria de telescópios também não eram tão evoluídas), condicionava o surgimento da melancolia. Também se recorria à numerologia os números correspondentes ao nome do paciente indicariam se o prognóstico da doença era favorável ou não.

Ciência subestimada

Em relação à medicina como ciência, e até mesmo em relação às medidas higiênicas, havia desconfiança, quando não franca hostilidade. Tertuliano dizia que o Evangelho tornava desnecessária a especulação científica. Para São Gregório de Tours, era blasfêmia consultar médico em vez de ir à tumba de São Martinho. Avisava São Jerônimo àqueles cuja pele mostrava-se áspera pela falta de banho: quem se lavou no sangue de Cristo não precisava lavar-se de novo.

Os médicos, poucos, não inspiravam muita confiança. Escolas de medicina só surgiram no final da Idade Média; até então o aprendizado era empírico e excluía importantes conhecimentos, como o da anatomia. Dissecar cadáveres era uma prática severamente restrita, sobretudo por motivos religiosos. Considerava-se que a sacralidade do corpo de Cristo estendia-se aos demais corpos, vivos ou não. Em consequência a medicina continuava baseando-se nos trabalhos de Galeno, que não associava doenças a órgãos ou sistemas e na qual erros de anatomia não eram raros.

As raras cirurgias, conduzidas sem anestesia e sem qualquer assepsia, eram praticadas por barbeiros. Até hoje existe, diante de antigas barbearias inglesas, uma espécie de mastro com listras brancas e vermelhas, lembrando essa antiga atividade: o vermelho simboliza o sangue e o branco as bandagens usadas nos operados. Os barbeiros também faziam a sangria, um dos procedimentos mais comuns à época. A sangria era usada para tratar a "pletora", uma situação na qual o corpo tinha excesso de sangue. O tratamento clínico não era muito melhor. John Arderne, autor de Uma Arte da Medicina e médico de reis da Inglaterra, tratava cólicas renais como um emplastro quente untado com mel e fezes de pombos.

Mas engana-se quem pensa que a medicina estagnou completamente nessa época. Na Espanha muçulmana, médicos árabes e também judeus (os dois grupos então conviviam em paz) inspiravam-se em Hipócrates e Galeno para introduzir importantes progressos na cirurgia, na oftalmologia, na farmácia. Avicena (Ibn Sina), por exemplo, que viveu de 980 a 1037, foi autor de uma importante obra, o Canon, que até o século 17 serviu como texto básico das escolas de medicina. Mas a cristandade tinha escasso acesso a esse conhecimento. A biblioteca de Carlos Magno, famosa por sua extensão, continha um único texto sobre medicina, De Curandis Morbis ("A cura das doenças"), de Serenus Sammonicus, famoso médico de Roma antiga. Apenas no mosteiro medieval o conhecimento médico da Antiguidade grega era preservado; ali, sob a guarda dos monges, tal conhecimento não se transformaria em heresia ou apelo ao paganismo.

Primeiros 'hospitais'

A ineficácia dos procedimentos mágicos ou religiosos era compensada com a caridade. Foi assim que surgiram na Idade Média as instituições precursoras dos modernos hospitais, os xenodochia, asilos para doentes (e também para viajantes) nos quais os pacientes recebiam, se não o tratamento adequado pelo menos conforto espiritual. No final da Idade Média as coisas começaram a mudar. O ensino da medicina torna-se mais institucionalizado. Nessa época surge a famosa escola de Salerno (Itália), que funcionou do século 10 ao 12. Eram quatro anos de estudo mais um de prática sob a supervisão de um médico. O mais famoso professor em Salerno foi Constantino Africanus, que viveu no século 11 de Cartago, então uma cidade árabe.

Na Escola de Salerno foi elaborado o Regimen Sanitatis Salernitanum, um código de saúde que continha regras simples, práticas e sensatas para uma vida saudável. Detalhe curioso: essas recomendações eram em versos, para serem mais facilmente lembradas. Salerno e depois Montpellier, no sul da França, eram os pilares da educação médica na época.

Mas a medicina ainda não era uma área autônoma. Era ensinada da mesma forma que filosofia ou direito, com muitas referências aos mestres e seus textos e pouca observação ou experimentação. A anatomia continuava ausente do currículo e só apareceria na Renascença. Mas a cirurgia já era largamente praticada em Salerno. Quem operava deveria adotar, previamente, certas precauções: evitar o coito, o contato com mulheres menstruadas e alimentos cujo cheiro pudesse "corromper" o ar, tal como a cebola. Uma outra inovação de Salerno foi a licença para que mulheres pudessem praticar a medicina. Santa Hildegarda, uma abadessa beneditina, escreveu vários tratados médicos. E Trótula ficou conhecida como parteira.

Pestilências

O fim da Idade Média foi marcado pelas pestilências. Epidemias naturalmente já tinham sido registradas, tanto no Oriente como na Grécia e no Império Romano. Tucídides em Atenas (430 a.C.) e Galeno em Roma (164) faziam menção a elas, sem falar no próprio Hipócrates. Mas os movimentos populacionais, a miséria, a promiscuidade e a falta de higiene dos burgos, os conflitos militares, tudo isso criou condições para explosivos surtos epidêmicos. O exemplo mais conhecido são as repetidas epidemias de peste. Doença causada por uma bactéria, Pasteurella pestis,a peste é em geral transmitida por pulgas de ratos.


As vítimas da peste bubônica em 1347 Wikimedia Commons

Manifesta-se por febre, aumento dos gânglios linfáticos (bubões), que podem supurar, ou por pneumonia grave, ou por septicemia. Ao final da Idade Média as viagens marítimas e o aumento da população urbana favoreceram a eclosão de surtos de peste bubônica. A Peste Negra, que começou em 1347, matou grande parte da população europeia de então.

O Ocidente medieval estava despreparado para enfrentar a peste. Por outro lado, a doença coincidiu com o início de importantes mudanças econômicas, sociais e culturais e, em certa medida, até contribuiu com elas. A enorme hecatombe paradoxalmente valorizou a mão-de-obra. Os servos já não estavam tão presos às terras do senhor feudal e muitos deles mudaram-se para as cidades, onde novos ramos de atividades se desenvolviam. O comércio, inclusive o marítimo, desenvolveu-se muito, as ciências e as artes progrediram e tudo isso repercutiu na prática médica. Acabou o tabu em relação aos estudos anatômicos, a medicina tornou-me mais prática e mais científica. Era o início da modernidade.

Isso não quer dizer que crendices e superstições em relação a doenças tenham desaparecido. A ciência não tem explicação para tudo, muito menos para os mistérios do corpo humano. Enquanto esses enigmas persistirem, muitas pessoas continuarão recorrendo ao sobrenatural para diminuir a angústia que a enfermidade sempre causa, na Idade Média ou em qualquer outra época.

Sangria, sanguessugas, ventosas



Sangria, um dos métodos usados para retirar o excesso de sangue Wikimedia Commons

"A vida humana está no sangue", diz a Bíblia, uma afirmativa que a medicina medieval levava muito a sério, complementando-a: a vida humana está no sangue, e as ameaças à vida também. Que ameaças eram essas? Em primeiro lugar, o "excesso" do próprio sangue, que podia resultar em riscos à saúde. Mas o sangue era apenas um dos quatro humores que, segundo a medicina hipocrática, regulariam o funcionamento do organismo e também o temperamento. Os outros três humores eram a linfa, a bile amarela e a bile negra. Aos quatro humores correspondiam quatro temperamentos: o sanguíneo, vivaz e energético; o linfático ou fleugmático, contido, reservado; o colérico, capaz de se irritar facilmente; e o melancólico, predisposto à tristeza.

Dos quatro humores, o sangue era o único a que se podia facilmente ter acesso; assim, os outros eram "evacuados" através dele. E como se retirava o excesso de sangue? De três maneiras. Uma era a sangria pura e simples, que consistia em cortar uma veia do braço. Esse procedimento foi usado até meados do século 20 para tratar o edema agudo de pulmão, uma situação em que a falência do coração faz o sangue se acumular perigosamente nos pulmões. A outra maneira era pelas sanguessugas.

Esses curiosos vermes nutrem-se do sangue de mamíferos, para o que dispõem de "dentes" especiais. Secretam, além disto, uma substância que dificulta a coagulação do sangue este, então, flui livre. Essa substância, aliás, serve de base para medicamentos anticoagulantes, usados quando o sangue, por excesso de gorduras, fica "grosso". Sanguessugas utilizadas em tratamentos de reimplantes de membros, por exemplo, restabeleciam o fluxo sanguíneo dos membros amputados. E o terceiro processo eram as ventosas: copos de vidro em que criavam-se vácuo (mediante aquecimento) e que colocados sobre escarificações, ou seja, arranhões fundos na pele, aspiravam sangue.


Fonte: Site da Revista Aventuras na História



Blog de Curiosidades da História.Criado por José de Jesus Bataier.Sem Fins Lucrativos –Estância Balneária de Praia Grande –SP –Brasil



03 outubro, 2018

Há 4500 anos os homens da Península Ibérica foram mortos e substituídos por invasores


Há 4500 anos os homens da Península Ibérica foram mortos e substituídos por invasores

Estudo de Harvard indica que o povo invasor foi responsável por quase toda a descendência a partir dessa data. Traços genéticos indicam o mesmo, incluindo uma "substituição completa do cromossoma Y"



© EPA/OMER MESSINGER

á cerca de 4500 anos, uma invasão exterminou praticamente todos os homens da Península Ibérica, fazendo com que os modernos habitantes de Portugal e Espanha descendam quase exclusivamente dos invasores. O estudo vem de Harvard e é dirigido por David Reich, que explicou as conclusões num evento da New Scientist .

Reich explicou que a cultura invasora provinha do Cáucaso e do litoral norte do Mar Negro, por volta do final da Idade do Cobre e início da Idade do Bronze.


"Os invasores estendiam-se por um vasto território, da Mongólia até à Europa, e são os contribuintes primários mais importantes para os europeus de hoje", afirmou David Reich, citado pela Europa Press.

As conclusões surgem a partir de um estudo genético, em que a equipa encontrou uma "mudança dramática nos cromossomas Y" (que apenas estão presentes nos homens). "Houve uma substituição completa do cromossoma Y. Isto significa que os recém-chegados tiveram acesso preferencial às mulheres locais uma e outra vez", acrescentou o investigador.

"Houve uma substituição completa do cromossoma Y. Isto significa que os recém-chegados tiveram acesso preferencial às mulheres locais uma e outra vez"


Os invasores, que chegaram pouco depois de a roda ser inventada e o cavalo domesticado, viviam da terra e conseguiam transportar grandes quantidades de provisões, o que lhes permitiu andar com muitos animais e enfrentar as alturas e as dificuldades.

Tanto assim foi que, segundo o N+1, vários povos que viviam nas montanhas foram substituídos de uma forma homogénea pelo povo que ocupou a Península Ibérica.

"O choque entre os povos não foi amigável, nem equilibrado. Os homens foram totalmente substituídos quase por completo e as mulheres escravizadas", disse também David Reich, citado pela Europa Press.

Diz o geneticista que apenas após a chegada deste povo os genes antigos encontrados e estudados passaram a parecer-se mais com os dos europeus modernos.

E não só, o investigador também sugere que a maioria das línguas europeias modernas foi trazida pela primeira vez para contexto europeu pelos invasores.

A maioria das línguas europeias modernas foi trazida pela primeira vez para contexto europeu pelos invasores


Como fator significativo da expansão existe também a produção de jarros e vasos de cariz religioso, que se faziam no que é agora Espanha, e que foi adotada pelo povo que invadiu a Europa e a Península Ibérica, acabando por se tornar uma marca do seu crescimento.


Fonte do texto: Jornal de Notícias -Portugal (Foto convertida para jpg)



Blog de Curiosidades da História.Criado em 12/08/2006 por José de Jesus Bataier.Sem Fins Lucrativos –Estância Balneária de Praia Grande –SP –Brasil



25 setembro, 2018

A CARA E A COROA: A HERANÇA DA DITADURA MILITAR


A CARA E A COROA: A HERANÇA DA DITADURA MILITAR

As marcas que os anos de chumbo deixaram no Brasil são visíveis ainda hoje



Tropas ocupando a Av. Getúlio Vargas (Rio) ante o protesto contra a morte do estudante Edson Luís, 1968 Foto:Correio da Manhã, domínio público

A ditadura terminou há mais de 30 anos e parece ser uma página virada da história brasileira. Parece, mas não é. O regime militar botou o país de pernas para o ar, tanto no bom quanto no mau sentido, e provocou mudanças de fôlego que ainda hoje fazem toda diferença no nosso dia-a-dia. Parou no congestionamento? Lembre que foram os militares que consolidaram o modelo de transporte baseado no carro, iniciado por Juscelino Kubitschek. Ligou a televisão e ficou orgulhoso da qualidade técnica da produção brasileira? Atente para o impulso que os governos autoritários deram para o setor. Fica indignado cada vez que o presidente assina uma Medida Provisória? Não esqueça que as MPs são o velho decreto-lei militar repaginado.

É difícil apontar uma área da vida brasileira que não tenha sofrido influência dos governos militares. Afinal, foram 21 anos de poder exercido com mão pesada. Em alguns setores, no entanto, as pegadas do período estão mais claras. Dívida externa, política de terras, distribuição de renda, indústria automobilística e produção de energia são bons exemplos disso.

Todo balanço da ditadura acaba sendo negativo – afinal, foram anos de repressão e violência, em que a vontade dos governados contou menos que a dos governantes. Mas o tempo já permite separar o joio do trigo, admitindo ações positivas em algumas frentes.

É uma tarefa delicada. No campo minado das paixões que o período desperta, defensores e críticos até hoje trocam farpas. Mas se os governos militares lançaram os fundamentos da pós-graduação brasileira, de outro lado estimularam a criação indiscriminada de cursos privados. Se geraram condições para o crescimento, deixaram de distribuir renda. Conheça a seguir a cara e a coroa da moeda da ditadura em alguns setores decisivos.

Dívida e crescimento

Durante o regime militar, a economia brasileira se agigantou, tirando o país do medíocre 50º lugar para colocá-lo entre as dez nações mais ricas do mundo. O milagre econômico (1968-1973) parecia uma conquista para ninguém botar defeito: a produção industrial crescia com rapidez e o número de empregos ia às alturas. Depois veio a desaceleração (1974-1980), em que o PIB ainda cresceu a 7,1% ao ano, uma taxa de soltar rojões hoje em dia. No entanto, por trás das boas notícias se escondia uma dívida externa crescente, que estouraria na década de 1980, tornando-se impagável.

Pela lógica dos governos militares, a dívida era um mal necessário. “Para crescer como cresceu, o Brasil precisava de financiamento interno de longo prazo e boa capacidade para importar máquinas e bens de capital. Não contando nem com um nem com outro, foi obrigado a se endividar em dólar”, diz Wilson Cano, professor de economia da Universidade de Campinas.

A conta negativa do Brasil virou um rombo em poucos anos. Em 1970, a dívida externa era de 5,3 bilhões de dólares; em 1980, já tinha se tornado um pesadelo de 53,8 bilhões. Ninguém mais cogitava pagar a dívida, mas apenas seus juros. Qual teria sido, então, a hora de conter o crescimento para evitar isso? “Até aproximadamente 1978, havia fartura de capital no exterior, ‘quase de graça’, e os governos se lambuzaram”, explica Cano. “A questão não é qual teria sido a hora de parar e, sim, como priorizar investimentos, não ter pressa nem megalomania.”

O problema é que a busca de legitimidade pelos governos militares teve papel determinante nas decisões econômicas. “Se o crescimento parasse, a crise política seria muito forte. Que segmentos permaneceriam solidários com a ditadura?”, provoca Cano. A Nova República herdou essa bomba e não soube desarmá-la. Pelo contrário, complicou tudo: em 1990, o Brasil já devia 96 bilhões de dólares e, em 2000, 206 bilhões. O aperto financeiro que o governo vive hoje, com sua necessidade de economizar para gerar superávits capazes de honrar a dívida, é bisneto do milagre econômico.

País rico povo pobre

Em matéria de distribuição de renda, foi grande o estrago feito pelos militares e seus tecnocratas. Em 1985, os 20% mais ricos da população ficavam com quase 70% da riqueza do país, enquanto, antes de 1964, recebiam quase 55%. Na prática, a má “divisão do bolo” acabou tendo influência direta no bolso do trabalhador com pior remuneração. Antes da ditadura, quem recebia o salário mínimo precisava trabalhar pouco mais de 98 horas para comprar sua cesta básica. Em 1983, eram necessárias mais de 172 horas.

Jarbas Passarinho, ex-ministro de Costa e Silva, reconhece a corrosão do piso salarial brasileiro durante o regime militar, mas ainda enfatiza a importância do crescimento econômico. “Temos hoje a pior distribuição de renda do mundo, e, de fato, o salário mínimo poderia ser maior”, observa. “Mas, se temos problemas, é preciso levar em conta outras considerações. O Paraguai tem salário mínimo maior do que o nosso. É mais rico por isso?”

Obras faraônicas

Para quadruplicar o PIB brasileiro, os governos militares tiveram de investir pesado em construção civil e produção energética. A palavra de ordem era: integrar o país e torná-lo autônomo em abastecimento de energia. Na prática, os militares optaram por empregar milhões de dólares em projetos faraônicos, a exemplo da usina hidrelétrica de Itaipu, o programa nuclear de Angra dos Reis, a ponte Rio–Niterói e a rodovia Transamazônica.

Em alguns pontos, a estratégia deu certo. Apenas na década de 1970, o Brasil aumentou sua produção de energia elétrica em 212%. Em outros, o resultado foi lamentável: os investimentos nucleares resultaram em duas usinas que até hoje têm pouca serventia, e a Transamazônica parece um lamaçal ligando o nada a lugar nenhum.

Carros e empregos

É verdade que a paixão pelas quatro rodas explodiu no Brasil com Juscelino Kubitschek (1955-1960), mas a ditadura foi fundamental para que a indústria automobilística se consagrasse no país como o mais importante setor industrial. A produção de carros e caminhões, que em 1964 não ultrapassava a casa das 200 mil unidades, chegou em 1980 à invejável marca de 1 milhão e 165 mil veículos produzidos.

O Brasil se gabava de ter o oitavo parque industrial do ramo no mundo. Em relação à oferta de emprego, as vantagens foram sensíveis: em 1983, quase 10 milhões de pessoas estavam engajadas nas atividades direta e indiretamente relacionadas à indústria dos automóveis – como produção de parafusos, usinagem de peças e fabricação de estofamentos. Em três décadas, o Brasil passou de importador a exportador de automóveis.

Álcool no tanque

Em 1973, como resposta ao primeiro choque do petróleo, os militares criaram o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). Quando conflitos no Oriente Médio fizeram o preço do produto disparar, o país importava 80% do combustível que consumia. Em pouco tempo, o Brasil começaria a produzir carros movidos a energia vegetal. “É uma tecnologia genuinamente brasileira”, diz Marcos Fava Neves, professor de economia da Universidade de São Paulo. “Mesmo com a existência anterior de motores a álcool para outras finalidades, o Brasil foi o pioneiro na produção de automóveis a álcool em larga escala no mundo.”

Dez anos depois do início do programa, os carros a álcool representavam 90% do mercado e poupavam ao país o consumo de 120 mil barris de petróleo por dia. Seu desempenho aos poucos alcançou o dos motores a gasolina. Hoje, os efeitos do Proálcool se fazem sentir. Segundo Neves, o país produz aproximadamente 320 milhões de toneladas de cana anuais, sendo que há dez anos não passava de 240 milhões. “Pensando no papel dos militares e no agronegócio, o Proálcool foi a melhor coisa que fizeram”, acredita.

Terra para poucos

Bom para o produtor, ruim para o trabalhador rural. A política de terras da ditadura teve impacto negativo no que se refere ao assentamento de camponeses. Ao tomarem o poder, os militares fizeram de tudo para jogar água fria nos debates sobre a reforma agrária, em alta com as promessas do presidente João Goulart. Ao longo dos anos 70, a política do governo foi tentar distribuir o excedente de mão-de-obra rural ao longo das rodovias Transamazônica, Cuiabá–Santarém e Cuiabá–Porto Velho, criando novas fronteiras agrícolas. Ou seja, levar gente do Sul, Sudeste e Nordeste para o Norte.

“A idéia era evitar qualquer mudança radical nas áreas que já estavam ocupadas”, afirma Ariovaldo Oliveira, professor de Geografia da Universidade de São Paulo. Na década de 80, ficou claro o fracasso dessa política. As distâncias quase continentais entre as regiões de produção e o grande mercado consumidor próximo ao litoral implicaram custos elevados de transporte, que inviabilizaram os projetos.

Enquanto isso, o governo procurou fortalecer as produções de grande capital e de exportação no Sul. “Como ministro, Delfim Netto quis apoiar a expansão da agricultura para exportação, como a da soja. Ele sabia que os camponeses mais frágeis, que ficariam sem trabalho, poderiam ser reconduzidos ao Norte pelo sistema de colonização”, diz Oliveira. Quando o programa se desmantelou, os sem-terra se articularam para lutar pela reforma agrária. “O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra nasce da contradição dessa política do governo: os militares liberaram um batalhão de mão-de-obra no Sul que, após ir à falência no Norte, retornou para a área de origem”, explica o professor.

Um Executivo espaçoso

Durante o regime militar, foi o poder Executivo quem ditou as regras do jogo. Em 21 anos de ditadura, baixou 17 Atos Institucionais e mais de 2 mil decretos-leis. Eram leis que surgiam da vontade do presidente, trancavam os trabalhos do Congresso até serem votadas ou eram simplesmente aprovadas porque tinha vencido o prazo para que fossem discutidas. A força do Executivo esmagava os outros poderes essenciais ao funcionamento da democracia: o Judiciário e o Legislativo.

Na redemocratização, os decretos-leis chegaram a ser tratados pela oposição como “entulhos” do autoritarismo. Mesmo assim, acabaram sendo reintroduzidos, com leves modificações, na Constituição de 1988 – agora com o nome de Medida Provisória.

“Na época, havia a idéia burra de que a inflação galopante poderia ser abatida com decretos”, relata Sérgio Resende de Barros, professor de Direito Constitucional da USP. Com essa finalidade, a Medida Provisória surgiu às pressas no final da Constituinte de 1988. “O problema é que ela acabou sendo mal regulamentada, pois todos estavam obcecados com a garantia das diretas para presidente, que é apenas um dos aspectos da democracia.”

Barros explica que devem existir leis de emergência, como o decreto-lei e a Medida Provisória, mas elas têm de realmente apresentar caráter de necessidade e urgência para a sociedade. O que ocorre é que os presidentes que vieram depois da ditadura usaram e abusaram das Medidas Provisórias. Nos últimos anos, a média de MPs foi superior a cinco por mês. E, com freqüência, elas tratam de assuntos secundários ou sem urgência, como reajustes salariais de servidores.

O especialista defende limitações à capacidade de legislar do Executivo – que ganhou poder para propor emendas à Constituição – como um passo importante para a democratização efetiva do Brasil. “O poder é como os gases: se não é controlado, se expande indefinidamente”, afirma.

Canudos privatizados

Na educação, principalmente no ensino superior, o regime militar se esforçou para tirar nota dez. Preocupados em fornecer especialistas para a industrialização, os governos inauguraram no Brasil o sistema de pós-graduação em 1969, não tardando para formarem o primeiro pelotão de acadêmicos. Em 1970 e 1971, 2683 alunos concluíam o mestrado e apenas 87 terminavam o doutoramento; dez anos depois, 20744 mestres e 1697 doutores saíam das universidades. “Se há alguma medida positiva resultante da política educacional implementada pela ditadura, essa foi certamente a implantação e consolidação da pós-graduação”, analisa Dermeval Saviani, professor Emérito da Unicamp. “Isso teve um impacto importante no desenvolvimento da pesquisa em nosso país.”

Ao longo dos anos, no entanto, a ditadura significou o sucateamento das universidades públicas. Segundo Saviani, haveria três razões para isso. A primeira é a própria dívida externa, que reduziu drasticamente a capacidade de investimento do governo, afetando o financiamento das universidades públicas. Segundo, alterações constitucionais do regime desobrigaram a União de destinar anualmente o mínimo de 10% dos impostos para a educação, como previa a Constituição de 1946. Assim, os recursos federais foram caindo, até que, num dos anos do governo Geisel, o orçamento do MEC ficou reduzido a apenas 4,6% do orçamento federal. O terceiro motivo para o sucateamento decorreria da política educacional global, que estimulou a criação de instituições privadas. “Na prática, houve privatização do ensino superior”, avalia Demerval Saviani.

Fonte: Site da Revista Aventuras na História-Tamis Parrom 04/2005



Blog de Curiosidades da História.Criado em 12/08/2006 por José de Jesus Bataier.Sem Fins Lucrativos –Estância Balneária de Praia Grande –SP –Brasil



20 setembro, 2018

Queijo já se produzia no Mediterrâneo há 7200 anos


Queijo já se produzia no Mediterrâneo há 7200 anos

Cientistas descobriram os vestígios mais antigos da manufatura de queijo na região mediterrânica em dois sítios arqueológicos da Croácia

Filomena Naves-Diário de Notícias-Portugal


Foi em recipientes como estes que os cientistas descobriram os vestígios do primeiro queijo mediterrânico © Sibenik City Museum

Há 7200 anos os primeiros agricultores da região mediterrânica já produziam queijo. A descoberta foi feita por um grupo internacional de arqueólogos que encontrou os vestígios mais antigos de produção de queijo em dois sítios arqueológicos da Croácia, Pokrovnic e Danilo Bitinj, onde os primeiros agricultores da região se instalaram há cerca de nove mil anos.

A descoberta dessa primeira manufatura de queijo faz recuar em cerca de três mil anos a sua produção, bem como de outros produtos a partir da fermentação do leite nesta região, mostrando que eles entraram na alimentação humana mais cedo do que se supunha.

Publicada na revista científica Plos One, esta descoberta traz novidades à história desses primeiros agricultores da região e aponta para que o consumo de produtos de leite fermentado, como o queijo e iogurtes, tiveram um papel importante na consolidação e posterior expansão, para norte para e oeste, daqueles grupos humanos.

De acordo com a equipa que fez o estudo, aquelas populações começaram a usar o leite, presumivelmente na alimentação das crianças, há cerca de 7700 anos. Porquê as crianças? Porque, geneticamente, aquelas populações eram intolerantes à lactose. Só os bebés em aleitamento e as crianças durante a primeira infância podiam digerir o leite.

"Vemos ali primeiro o uso de leite, que era provavelmente recolhido para as crianças, por ser uma boa fonte de hidratação e relativamente seguro do ponto de vista de micro-organismos", explica Sarah McClure, da Universidade de Penn State, nos Estados Unidos, e uma das autoras da descoberta. "Não seria surpreendente que os adultos dessem leite de outros mamíferos às crianças", nota.

Bastaram, no entanto, 500 anos para que o leite fermentado entrasse na alimentação daqueles grupos, como mostra a descoberta feita na Croácia. Guardado em recipientes feitos de uma mistura de argila, água e areias, o leite acabaria por fermentar e o resultado - queijo e iogurtes - revelaram-se uma fonte de alimento mais segura para todos - no leite fermentado, a lactose já está processada.

A equipa identificou vestígios de queijo e de leite fermentado num conjunto de 36 dos 47 recipientes encontrados no local, ou seja, na maioria. A datação mostra que isso ocorreu há 7200 anos e, para os investigadores, esse "salto" alimentar pode ter dado um importante contributo para a expansão para norte e oeste daqueles primeiros agricultores.

Uma vez fermentado, o leite tornou-se também fonte de alimentação para os adultos, e terá ajudado a uma maior taxa de sobrevivência infantil, levando consequentemente a um aumento populacional, sugerem os cientistas.



Blog de Curiosidades da História.Criado em 12/08/2006 por José de Jesus Bataier.Sem Fins Lucrativos –Estância Balneária de Praia Grande –SP –Brasil



12 setembro, 2018

Pão mais antigo do mundo tem receita de 14 mil anos revelada por arqueólogos


Pão mais antigo do mundo tem receita de 14 mil anos revelada por arqueólogos


Helen Briggs - BBC News


As raízes de algumas plantas eram trituradas para fazer a massa do pão

Pegue a farinha feita de trigo e cevada selvagens, misture com raízes trituradas de plantas, adicione água e asse.

Segundo os cientistas, essa é a receita do pão mais antigo do mundo, com mais de 14 mil anos.

Seu formato para assar seria parecido com o de um pão achatado e o gosto parecido com o do pão multigrãos dos dias atuais.

Nossos antepassados podem ter usado esse pão para enrolar a carne ao assá-la. Assim, ele também pode ter sido o sanduíche mais antigo.

"Esta é a primeira evidência que temos do que poderíamos chamar de cozinha, com um produto misto de alimentos", diz o professor Dorian Fuller, da UCL (University College London), à BBC News.

"Eles têm pães ázimos (sem fermento) e têm gazela assada e assim por diante, e isso era algo que estavam usando para fazer uma refeição."


Ali Shakaiteer e a pesquisadora Amaia Arranz-Otaegui recolhem amostras de cereais na área onde a descoberta foi feita

O pão tem sido parte da nossa dieta básica, mas pouco se sabe sobre as origens da panificação.

Até agora, a mais antiga evidência de pão datava de 9 mil anos, da Turquia.

Mas arqueólogos acabam de descobrir evidências de panificação feita há 14 mil anos em um sítio arqueológico no deserto negro da Jordânia.

Segundo relato publicado na revista cientítica PNAS, os cientistas descobriram dois edifícios, cada um contendo uma grande lareira de pedra circular dentro da qual foram encontradas migalhas de pão carbonizadas.


Otaegui tentra reproduzir a receita transformando raízes de plantas em farinha

Analisadas com microscópio, as amostras de pão tinham sinais de moagem, peneiramento e amassamento.

A doutora Amaia Arranz-Otaegui, da Universidade de Copenhague, que descobriu os restos do pão, disse que isso era a última coisa que esperavam encontrar no local.

"O pão é um elo poderoso entre nossas culturas alimentares passadas e presentes", diz ela. "Isso nos conecta com nossos ancestrais pré-históricos."

O alimento teria sido feito em vários estágios, incluindo "moer cereais e tubérculos para obter farinha fina, misturar farinha com água para produzir massa e assar a massa nas cinzas quentes de uma lareira ou em uma pedra quente."

Receita do pão jordaniano de 14 mil anos atrás

O preparo começa com farinha de trigo e de cevada selvagem. Em seguida, acrescenta-se as raízes de plantas selvagens que crescem na água.

Aos ingredientes, mistura-se com água para virar uma massa, que depois é assada em pedras quentes ao redor do fogo.



Blog de Curiosidades da História.Criado em 12/08/2006 por José de Jesus Bataier.Sem Fins Lucrativos –Estância Balneária de Praia Grande –SP –Brasil



05 setembro, 2018

Tumba da Idade do Bronze é encontrada por acaso na Grécia


Tumba da Idade do Bronze é encontrada por acaso na Grécia

Lápide foi revelada quando um agricultor passava por um bosque na Ilha de Creta e atolou na lama





TUMBA TINHA CERÂMICAS, ESCULTURAS E DOIS ESQUELETOS MASCULINOS (FOTO: GREEK MINISTRY OF CULTURE)

Não é só a Bruna Marquezine que causa burburinho na Grécia: um tumúlo da Civilização Minoica foi encontrado por acaso em um bosque de oliveiras na Ilha de Creta. A descoberta aconteceu quando o carro de um um fazendeiro local atolou na lama. As tentativas de liberar o veículo revelaram uma lápide esculpida abaixo da superfície.

A tumba está dividida em três câmaras separadas e foi bloqueada por uma barreira de argila na tampa principal. Ela contém dois esqueletos de homens adultos, várias esculturas e 24 potes bem conservados. Arqueólogos estimam que sejam de 1.500 a 1.400 a.C..

Segundo o portal IFL Science, especialistas não sabem a identidade das ossadas, mas acreditam que eram de rapazes ricos. Isso porque as cerâmicas encontradas são de alta qualidade, o que indica riqueza no povo minoano.


BURACO ACIDENTAL QUE REVELOU A ENTRADA DA TUMBA (FOTO: GREEK MINISTRY OF CULTURE)

Creta se tornou um centro muito importante durante a Idade do Bronze. Por volta de 1.600 a.C., os minoanos construíram cidades enormes e desenvolveram artes e um estilo arquitetônico únicos. Eles se tornaram um povo marítimo, levando sua cultura até a Grécia continental.

Desastres naturais, como terremotos, acabaram destruindo vários de seus palácios. Entre 1.600 e 1.501 a.C., uma erupção cataclísmica na ilha de Santorini (antigamente conhecida como Thera) enterrou grande parte de itens minoanos. Além disso, os fluxos piroclásticos originados de algumas erupções vulcânicas que caíram no mar, provocaram tsunamis que atingiram Creta. Cerca de dois séculos depois, os minóicos deixaram de existir.


DOIS ESQUELETOS MASCULINOS FORAM ACHADOS DENTRO DA TUMBA (FOTO: GREEK MINISTRY OF CULTURE)


Fonte:Site da Revista Galileu


Blog de Curiosidades da História.Criado em 12/08/2006 por José de Jesus Bataier.Sem Fins Lucrativos –Estância Balneária de Praia Grande –SP –Brasil



02 setembro, 2018

BÍBLIA DO DIABO É O MAIOR LIVRO DA IDADE MÉDIA


A BÍBLIA DO DIABO É O MAIOR LIVRO DA IDADE MÉDIA

Também chamdo de Codex Gigas, “livro gigante”. Foi escrito por um monge e há uma macabra lenda sobre o que o Diabo faz nele



Wikimedia Commons Foto:Na Idade Média, ele era verde

Em 1648, quando a Guerra dos Trinta Anos estava perto de seus dias finais, o Exército sueco invadiu Praga. Dentre os itens que saquearam, deram de cara com um livro grande, pesado e desgastado. Nada nele parecia incomum até encontrarem uma página inteira ocupada por uma figura inesperada: o Diabo. A obra logo foi apelidada de Bíblia do Diabo. Naquele dia, os suecos nem imaginavam que tinham em suas mãos o maior manuscrito medieval que existe no mundo até hoje.


O manuscrito Wikimedia Commons

Ninguém sabe o nome verdadeiro do manuscrito. Mas ele precisava de um nome mais respeitável, então foi chamado, sem muita imaginação, de Codex Gigas ("Livro Gigante"). Ele tem 310 páginas, 89 centímetros de altura, 49 centímetros de largura e pesa 75 quilos.

O conteúdo não é diabólico. Á Bíblia uma coletânea de textos de diferentes temas e períodos: Antigo e Novo Testamento completos; uma enciclopédia de Isidoro de Sevilla; e textos sobre técnicas medicinais, entre outros.
Punição O livro é assinado pelo monge Herman Inclusus. Quem foi ou por que desenhou o Diabo ninguém sabe. Temos apenas lendas. Amais famosa certamente merece ser reproduzida.

Segundo ela, o livro foi escrito no século 13, por um monge que vivia no mosteiro Beneditino de Podlažice, na antiga Boêmia, hoje República Tcheca. O religioso, que estava prestes a ser punido por quebrar os seus votos, encontrou uma luz no fim do túnel: concordou em transcrever todo o conhecimento da humanidade em uma única noite.

O monge se viu sem saída. Desesperado, convocou o Diabo e ofereceu a sua alma em troca de ajuda para concluir o livro a tempo. Uma vez que cumpriu o combinado, Lúcifer deixou um autorretrato na obra.


O desenho Wikimedia Commons

Pesquisadores acreditam que a lenda do monge punido pode ter nascido a partir de uma interpretação errônea da assinatura do nome Herman Inclusus ("Herman, o Recluso") encontrada na obra. Antigamente a palavra inclusus era interpretada como "punição horrível", mas o verdadeiro significado está mais para "recluso" ou "solitário".

Além disso, um estudo feito pela National Geographic em 2015 e liderado pelo paleógrafo Michael Gullick, da Biblioteca Nacional da Suécia, revelou que a caligrafia utilizada para redigir os textos e a assinatura comprova que o grande livro foi realmente escrito por uma única pessoa.


Outras páginas Wikimedia Commons

Testes feitos para recriar a caligrafia sugerem que seriam necessários cinco anos de trabalho frenético para criá-la. O monge passou boa parte de sua vida se dedicando apenas à Bíblia do Diabo. O Codex Gigas foi devolvido a Praga em 2007 e ficou lá por um ano. Em 2009 foi apresentado durante uma exposição da Biblioteca Nacional da Suécia, mas atualmente não está mais exposto ao público.
Fonte:Thiago Lincolins e Lucas Vasconcellos- Site da Revista Aventuras na História




Blog de Curiosidades da História.Criado por José de Jesus Bataier.Sem Fins Lucrativos –Estância Balneária de Praia Grande –SP –Brasil



26 agosto, 2018

Pesquisadores descobrem cemitério monumental de 5 mil anos na África


Pesquisadores descobrem cemitério monumental de 5 mil anos na África

Local de enterro comum foi estabelecido por sociedade igualitária de pastores do entorno do Lago Turkana, no Quênia



O sítio do Pilar Norte de Lothagam, no Quênia: círculos de pedra podem ser vistos em torno da grande plataforma circular com os restos mortais de mais de 500 indivíduos - Divulgação/ Katherine Grillo


FONTE:POR O GLOBO
RIO – Um grupo internacional de pesquisadores encontrou o mais antigo e maior cemitério monumental do Leste da África. Datado em cerca de 5 mil anos, o local, no sítio arqueológico designada Pilar Norte de Lothagam, teria sido estabelecido como local comum para enterros de uma sociedade igualitária – isto é, sem estratificação social – formada por antigos pastores que viviam no entorno do Lago Turkana, no Quênia.

Segundo os especialistas, a descoberta do cemitério comunitário contraria noções sobre antigas sociedades complexas que sugerem que uma estrutura social estratificada e definida seria necessária para promover a realização de grandes projetos “públicos”, como a construção de monumentos.

O sítio do Pilar Norte de Lothagam teria sido usado pela sociedade de pastores por vários séculos entre 5 mil e 4,3 mil anos atrás. Primeiro eles teriam construído uma plataforma com cerca de 30 metros de diâmetro, escavando uma cavidade em seu centro para enterrar seus mortos. Depois que a cavidade foi lotada, ela foi preenchida com terra e marcada com pedras, com seus construtores colocando enormes pilares monolíticos sobre o local, alguns deles trazidos de uma distância de mais de um quilômetro. Outros círculos de pedras e marcações foram acrescentados em seu entorno.

Os cientistas estimam que ao menos 580 indivíduos, entre idosos, homens, mulheres e crianças de diferentes idades foram enterrados na plataforma central do sítio. Nenhum dos funerais traz qualquer marcação especial, e praticamente todos indivíduos foram sepultados com ornamentos pessoais, com sua distribuição muito homogênea no sítio. Ainda de acordo com os especialistas, tais fatores indicam se tratar de uma sociedade relativamente igualitária, sem grandes estratificações sociais entre seus membros.

Os arqueólogos teorizam que os povos antigos construíam monumentos permanentes como lembrança de uma História, ideais e culturas comuns após estabelecerem uma sociedade agrária estável, socialmente estratificada, com recursos abundantes e uma liderança forte. Assim, acredita-se que tanto uma estrutura política quanto especialização no uso de recursos seriam pré-requisitos para a construção de monumentos, com construções antigas sinalizando a existência de sociedades complexas com classes sociais bem definidas. Mas o cemitério de Lothagam parece ter sido construído por uma sociedade de pastores nômades sem evidências de uma rígida hierarquia social.

- Esta descoberta desafia as antigas ideias sobre monumentos – explica Elizabeth Sawchuk, pesquisadora da Universidade Stony Brook, nos EUA, do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, na Alemanha, e uma das autoras de artigo sobre a descoberta, publicado nesta segunda-feira no periódico científico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS). - Sem outras evidências, o sítio de Lothagam nos dá um exemplo de monumentalismo que não pode ser demonstradamente ligado ao surgimento de uma hierarquia social, forçando-nos a considerar outras narrativas para as mudanças sociais.

Os especialistas destacam que a descoberta do cemitério no Lago Turkana é consistente com outros exemplos do tipo vistos na África e outros continentes, em que estruturas monumentais foram construídas por grupos que acredita-se terem sido igualitários em sua organização social. Diante disso, eles dizem que a pesquisa tem o potencial de reformular as perspectivas globais de como - e porquê – grandes grupos de pessoas se unem para formar sociedades complexas.

No caso do cemitério, parece que o sítio de Lothagam foi construído em um período de grandes mudanças sociais. O pastoreio tinha acabo de ser introduzido na Bacia de Turkana, e os novatos, com suas ovelhas, bodes e gado, encontraram grupos diversos de caçadores-pescadores-coletores já vivendo no entorno do lago. Além disso, tanto os novos habitantes quanto os antigos enfrentaram duras condições ambientais, com a precipitação caindo no período e a superfície do lago encolhendo em até 50%. Desta forma, os pastores teriam construído o cemitério como um lugar de reunião de forma a manter suas redes sociais para melhor enfrentar as mudanças econômicas e ambientais da época.

- Os monumentos podem ter serviço como um lugar para as pessoas se congregarem, renovarem seus laços sociais e reforçarem a identidade da comunidade – diz Anneke Janzen, também do Instituto Max Planck para a Ciência da História Human. - A troca de informações e a interação por meio de um ritual compartilhado podem ter ajudado os pastores nômades a lidarem com uma paisagem física em rápida alteração.

Segundo os pesquisadores, depois de alguns séculos os pastoreio se enraizou na área e o nível do lago se estabilizou, época em que o cemitério comunitário também parou de ser usado.

- O Pilar Norte de Lothagam é o sítio monumental mais antigo conhecido no Leste da África, construído pelos primeiros pastores da região – resume Elisabeth Hildebrand, da Universidade Stony Brook e líder da pesquisa. - Este achado nos leva a reconsiderar como definimos a complexidade social, e os tipos de motivos que levam grupos de pessoas a criarem estruturas arquitetônicas públicas.



Blog de Curiosidades da História.Criado por José de Jesus Bataier.Sem Fins Lucrativos –Estância Balneária de Praia Grande –SP –Brasil







MIL ANOS MAIS VELHA QUE AS PIRÂMIDES, ESTA É A MAIS ANTIGA MÚMIA EGÍPCIA


MIL ANOS MAIS VELHA QUE AS PIRÂMIDES, ESTA É A MAIS ANTIGA MÚMIA EGÍPCIA

Estudo revela que este corpo passou o processo de mumificação egípcia quase 6 mil anos atrás



A múmia usada no estudo Foto:Reprodução / Raffaella Bianucci da Universidade de Turim

Novos testes realizados numa múmia pré-histórica, que data entre 3 700 a.C e 3 500 a.C, provam que o método de embalsamamento egípcio é bem mais antigo do que se imaginava. E que essa é a mais antiga múmia egípcia conhecida — no sentido de um corpo preservado pela ação humana.

A múmia no estudo, liderado por Stephen Buckley, especialista em mumificação na Universidade de York, encontra-se no Museu Egípcio de Turim (Itália), desde 1901. Trata-se de um homem que tinha entre 20 e 30 anos quando veio a óbito.

Como o corpo foi preservado na Pré-História egípcia, muito antes do período dos faraós, acreditava-se que era uma múmia natural e acidental, ressecada e preservada pela areia quente e o ar seco do deserto. Múmias acidentais podem existir em todas as culturas e épocas. Contudo, novas análises químicas revelam que o corpo passou de fato pelo processo de embalsamento, que era bem parecido com o que seria visto milênios depois.

Anteriormente, acreditava-se que a prática havia sido iniciada quando os egípcios começaram a construir as pirâmides. A primeira delas, a de Djoser, foi concluída em 2 468 a.C.. Isto é, cerca de 1 000 anos antes da múmia estudada. O auge da mumificação seria muito depois, no período romano, a partir de 30 a.C., quando todo mundo que tinha como pagar (classe média alta para cima) era mumificado.,

“Até o momento, nós nunca tivemos uma múmia pré-histórica que realmente demonstrou - tão perfeitamente através da química - as origens do que se tornaria a mumificação icônica que nós conhecemos”, diz Stephen Buckley em comunicado.


A múmia utilizada no estudo Reprodução/Raffaella Bianucci da Universidade de Turim

O processo de mumificação da “Múmia de Turim” — apelido não exatamente preciso dado pelo museu —, foi realizado utilizando óleo vegetal, resina de coníferas, um extrato de planta aromática e uma mistura de goma de vegetal e açúcar. Quando misturado ao óleo, essa resina proporcionava propriedades antibacterianas, que protegiam o corpo da decomposição. Bem parecido como o processo conhecido historicamente.

Fonte:Thiago Lincolins – Site Aventuras na História




Blog de Curiosidades da História.Criado por José de Jesus Bataier.Sem Fins Lucrativos –Estância Balneária de Praia Grande –SP –Brasil



18 agosto, 2018

Arqueólogos encontram queijo de 3,2 mil anos


Arqueólogos encontram queijo de 3,2 mil anos

Bruno Vaiano - Superinteressante - sábado, 18 de agosto de 2018


Mênfis, hoje um sítio arqueológico às margens do Nilo, foi uma das cidades mais importantes do Egito Antigo: era capital do nomo de Aneb-Hetch, uma subdivisão territorial que equivaleria a um estado ou província em um país atual.

Por volta de 1200 a.C., a metrópole foi comandada pelo prefeito Ptahmes. Sua tumba pujante foi encontrada em uma escavação feita por caçadores de relíquias europeus em 1885. Eles enviaram a maior parte dos artefatos a museus na Holanda e na Itália – onde estão até hoje.

O local foi abandonado após a exploração pioneira (e pouco cuidadosa) no século 19, e enterrado novamente pela areia com o passar dos anos. Só seria redescoberto em 2010, por arqueólogos da Universidade do Cairo. Por sorte, nem tudo havia sido levado pelos colonizadores: entre os artefatos sobreviventes, havia um pote de cerâmica com um conteúdo esbranquiçado misterioso – coberto por um pedaço de lona que provavelmente fazia as vezes de tampa.

Neste ano, a equipe do químico italiano Enrico Greco – que trabalhou em parceria com os arqueólogos egípcios – diluiu a substância encontrada no interior do jarro em água e a submeteu a dois tipos de análise: cromatografia e espectrometria.

A cromatografia isola as várias moléculas que compõem uma mistura complexa de acordo com a maneira como elas se diluem em substâncias diferentes. Já a espectometria é um pouco mais complicada de explicar – envolve a ionização das moléculas, isto é: tirar ou pôr elétrons nelas.

A intenção de ambas, porém, é a mesma: identificar do que a tal gosma misteriosa era feita. Resultado? Foram encontrados nove peptídeos (fragmentos de proteína) presentes no leite de cabra e de vaca. Para não falar em porcarias típicas da saliva humana, sinal de que os egípcios não passavam uma água nos talheres antes de mergulhá-los de novo no queijo. Também é possível que eles simplesmente tenham conversado com a boca diretamente acima do pote aberto. Não dá para saber ao certo.

“O pessoal do Cairo já suspeitava que fosse comida, por causa do método de conservação e a posição do objeto no interior da tumba”, afirmou Greco ao jornal The New York Times. “Mas nós só descobrimos que era queijo depois dos primeiros testes.” Os resultados estão disponíveis neste artigo científico.

Tudo indica que o queijo do faraó era úmido, fácil de espalhar no pão (embora não se saiba se ele era de fato comido com pão) e estragava rápido. Mas você não faria bem em comê-lo, mesmo na época em que estava fresco: ele estava contaminado com a bactéria responsável pela brucelose, uma infecção alimentar grave que até hoje ameaça quem come laticínios não-pasteurizados.



Blog de Curiosidades da História.Criado por José de Jesus Bataier.Sem Fins Lucrativos –Estância Balneária de Praia Grande –SP –Brasil